SABRINA SATO – revista Gol

Por Cristina Ramalho Foto Autumn Sonnichsen

Bastou mostrar aquele par de coxas prontas para a glória, a risada solta a qualquer frase e a sinceridade com os erres de Penápolis, que Sabrina Sato virou num instante a musa do Big Brother 3, em 2003. Lá dentro ela achava graça em tudo: do goiano Dhomini (de quem foi namorada, e que acabou vencendo aquela edição do programa) às festas, a comida, os colegas de disputa, o clima de turma. Afinal ela estava na TV, seu sonho de menina, quer coisa melhor?

Do lado de cá, seu pai, Omar Rahal, sujeito sério, dono de uma clínica de testes psicotécnicos, deixou a psicologia de lado e quebrou todas as portas de casa de nervoso ao ver a filha confinada no BBB. “Ele queria morrer, a cada vez que a Sabrina aparecia na TV, ele gritava: tira essa menina daí”, lembra a mãe de Sabrina, Kika, também psicóloga, risonha e de bem com a vida como a filha. Quando nada parecia ser pior, “seu” Rahal viu sua menina soltinha da silva na capa da Playboy. “Olha, o homem emagreceu”, diz a mãe. Hoje o homem está corado, saudavelmente orgulhoso da filha ao vê-la entrevistando políticos, ou sendo elogiada por gente finíssima em artigos de revistas e na boca de celebridades. Sabrina Sato, 30, riu por último.

Ela já foi eleita a personalidade do ano de 2010 pela revista Isto É. Estima-se que ganha mais de R$ 300 mil por mês. Veste os melhores estilistas. Está na lista mais top de convidados das festas de quem esbanja verba em charme, nomes como Donata Meirelles e Nizan Guanaes. O namoro vai-e-vem com o deputado Fábio Faria, a cor do seu cabelo, a última que aprontou no Pânico, a nova linha de maquiagem, a coleção de óculos que a Ventura lançou com seu nome: aconteceu com ela, virou manchete nas capas das revistas, nos sites, em todo lugar. O Brasil adora Sabrina.

Tudo bem que com aquele corpão fica difícil para o espectador se concentrar em defeitos, mas ainda tem a sua enorme simpatia, a que ninguém fica indiferente. “Ela é tranquila, foi fácil fazer a Playboy com ela, tem um corpo lindo. Eu a fotografei há pouco tempo para uma campanha publicitária, ela continua linda, simpática”, diz o fotógrafo Bob Wolfenson, que fez o primeiro ensaio de Playboy de Sabrina, há oito anos, quando 600 mil exemplares sumiram das bancas num zás-trás. Dois anos depois, ela seria capa da revista de novo, coisa rara.

“Não mudei nada, sou a mesma, só mudei as roupas porque um dia falei assim para a minha irmã: preciso aprender a me vestir, tô aparecendo mais. Aí contratei um perrrsonal (stylist), mas de chique só tenho a roupa”, fala Sabrina, carregando nos erres, a deliciosa capacidade de não se levar muito a sério. “Ah, a roupa, a maquiagem, é tudo fantasia, é tudo perrrformance – as pessoas criam uma persona. Por isso que eu adorava o (quadro do Pânico) Sandálias da Humildade, ali as celebridades se revelavam”.

E revelar-se, a gente pode ver, nunca foi problema para Sabrina: das roupinhas com quase nenhum pano às opiniões com pouquíssima censura, ela se mostra sem dramas. Traduz como nenhuma outra a imagem da garota-da-porta-ao-lado: uma deusa curvilínea, mas tão simples, tão espontânea, capaz de desarmar qualquer pessoa. É a Marilyn Monroe das comédias de Billy Wilder, só que com pimenta malagueta. Por ela Tom Cruise sacudiu as cadeiras, o senador Suplicy vestiu uma sunga vermelha, Fernando Collor de Mello tomou um suco de maracujá para desestressar. Sabrina desembrulhou os políticos da pose, e só lamenta não ter conseguido cutucar dois deles: Renan Calheiros e Sarney.

Pergunto se ela já se impressionou. “Ah, com o Tom Cruise. Ele é lindo, e fiquei duas horas esperando por ele, e via como o Tom falava com todo mundo olhando no olho, atencioso, até com as pessoas mais simples. E com o Lula. Ele tem um carisma, é um ator de stand-up comedy, é super, super gentil, acessível”, diz. Garante que insegura, pelo menos de microfone na mão, ela nunca fica. “A Sabrina é inteligente, refina as ideias e perguntas que fazemos na reunião de pauta, aceita fazer de tudo e conseguiu substituir o único apresentador da TV que considero insubstituível: o Emilio Surita”, fala Juan Pastor, o redator do Pânico. Ele se refere ao programa do dia das mães, quando foi Sabrina quem chamou as matérias no ar. “Fiquei com um pouco de vergonha, mas no fim deu tudo certo, adorei”, diz ela.

Sim, Sabrina sempre topou qualquer parada, mas seu Rahal nem precisava se preocupar: sua filha é, no sentido literal, uma moça de família. Quando vai explicar porque adora o Pânico, diz que “ali é uma família, a gente briga, a gente ri, eles me protegem, regulam os namorados, implicam com meus amigos gays”. Desde criança, ela arrasta a parentada para suas ideias. “Quando eu tinha cinco anos, nem sabia como ir parar dentro da TV, mas já queria estar lá, e a Karina, dois anos mais velha, ia ser minha empresária”. Assim aconteceu. A irmã Karina, 32, advogada da Votorantim, é quem cuida dos contratos, do licenciamento da marca Sabrina Sato (tem grife de jeans, de chinelos, e a próxima será de biquínis, produzida pela grife Poko Pano), do salão de beleza (uma enorme casa com clínica de estética, na Vila Mariana), e ainda agencia quase todos os integrantes do Pânico (Emilio Surita, seus filhos Eduardo e Emilinho que devem ir para outra emissora, o Bola, o Vesgo, o Ceará) e nomes como a top Fernanda Motta, que apresentava o Brazil’s Next Top Model.

Os três irmãos (tem também o Karim, o caçula) trabalham juntos, e juntos moram numa cobertura tríplex em Perdizes, São Paulo, onde até o café da manhã é uma festa para no mínimo 20 pessoas. “É impossível definir a Sabrina, mas é uma das pessoas mais generosas que eu conheço”, fala Fernanda Motta, que está ali no apê para fazer uma massagem. A massagista chega, o telefone toca, entra um na cozinha, sai outro do banheiro, tem mais um a caminho da piscina, a empregada cai na risada e de onde é que vem tanta gente? “A Sabrina é igual a avó dela. Minha mãe era assim, eu e minhas irmãs éramos traumatizadas com a lotação da nossa casa”, diz Kika, a mãe de Sabrina.

A genética explica essa família em ritmo de pandeiro: Luiza Sato (nada a ver com a famosa massagista que deu nome a uma cadeia de clínicas de estética), a avó japonesa de Sabrina, era chegada numa plateia – e numas piadas. Não demorou a correr sua fama como a Dercy Gonçalves de Penápolis, e logo ela seria homenageada na cidade pelo prefeito. Era generosa, distribuía o que tinha para os amigos, e Sabrina vai na mesma onda. “Se alguém vem na minha casa e elogia alguma coisa, eu dou, numa boa. Acho que é minha maior qualidade. Aceito as pessoas, não tenho preconceito com nada nem com ninguém”.

Bom, não quis imitar a avó em tudo. Quando, depois de trabalhar como dançarina do Programa do Faustão no Rio, voltou para São Paulo para mudar de vida, ela acabou numa loja de bijuterias. “Eu estudava jornalismo na FIAM, tinha tantos planos para mim, queria ir para a TV e de repente tava lá num balcão de loja, igual a minha mãe, igual a minha avó. Falei: fudeu, minha vida vai ser igual a da minha avó”. Foi então que alguém lhe propôs, meio de farra, que ela mandasse uma fita de vídeo para se inscrever no Big Brother. Sabrina cintilou. E assobiou para a família cuidar da produção.

O pai, seu Rahal, sem imaginar no que ia dar, que topou gravar a filha em Penápolis com a empoeirada câmera de vídeo Panasonic usada no seu casamento. O vizinho Robson botou o som. A Karina chiou: aquilo não era jeito de tentar ser estrela. O namorado da irmã lhe deu o livro 1984, de George Orwell, para ver se ela se convencia de que Big Brother não podia ser coisa boa. “Li três páginas”, diz Sabrina. Só entendeu o tamanho da encrenca quando viu na TV o comercial em que aparecia numa banca com Pedro Bial e 14 examinadores dos candidatos do BBB: “Eu falava: se na minha faculdade souberem que eu me inscrevi aqui, eu vou me matar de vergonha!” Bial riu. “Acho que agora já sabem, Sabrina”.

Taí a razão do sucesso: Penápolis só ficou para trás na geografia. A garota que dava risadinhas com as amigas Mariana, Íris e Lúcia, fingindo que já tinha transado para não passar vergonha, hoje continua saindo com elas para beber, falar de namorados. Volta com o Fábio? “Estamos ensaiando uma volta”, ela diz, e cai na gargalhada. “Li isso numa revista, ensaiando uma volta, adotei”. Em seguida abre um sorrisão para dizer que “o Fabio é leve, engraçado, imita todo mundo. E cuida bem de mim”. Sabrina quer um dia ter dois filhos, Amora e Rio, quer daqui a uns anos ter seu programa de TV, mas trabalhar sempre em grupo. “Não dá mais certo essa fórmula de uma apresentadora só, as pessoas querem se entreter com muitas coisas, um programa de TV tem que ter de tudo um pouco”.

Olhando bem de pertinho, essa mesma Sabrina que adora os filmes do Mazzaropi, fala o que dá na telha e está sempre meio avoada adora o frisson que provoca, mas parece não dar tanta importância onde isso vai dar. Assim escolhe, como sua frase predileta, uma de Clarice Lispector:  “Não se preocupe em entender, viver ultrapassa o entendimento”.

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. thaysiinha
    ago 20, 2012 @ 03:05:45

    amor nesse caso bola pra frente…
    e muito nova, com certeza vai achar um outro alguem…

    Responder

  2. calita
    dez 27, 2013 @ 16:16:08

    amei entrevista que sabrina sato fez com tom cruise em 2010 e agora em 2013 aliás eu sou super super exypler fã dele…… I love:->

    Responder

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