LUIZ SCHWARCZ

“Gosto de quem respeita o silêncio. De autores que se expressam com linguagem enxuta” (Luiz Schwarcz)

Entrevista a Cristina Ramalho Foto Murillo Constantino

No dia que Luiz Schwarcz juntou coragem para dizer ao seu então chefe, o editor Caio Graco, da Brasiliense, que queria ir cuidar da própria vida, a sensação foi tão boa que ele correu para casa, botou o Dirty Work dos Stones para tocar e saiu dançando pelado no quintal. Não era só aquele sonho bem familiar a todos nós, o de dar uma banana para o patrão. Luiz, mal saído dos 30 anos, se sentia quase caindo do galho de tão amadurecido. Era o salto: de ex-pupilo para a carreira solo. Não deu dois meses e ele fundaria a Companhia das Letras, entre as editoras mais importantes do país.

Dali em diante você, eu, boa parte dos leitores brasileiros nos debruçaríamos em algum livro editado pelo Luiz: de um romance do estreante Chico Buarque (Estorvo, que Luiz leu antes de todo mundo e recebeu das mãos de Chico citando frase do pai, Sergio Buarque de Hollanda: “Literatura é coisa séria, meu filho”) aos ensaios de Edmund Wilson, Eric Hobsbawn, ou as biografias maravilhosas de Carmen Miranda, Assis Chateaubriand, Jorge Caldeira. As tramas de Rubem Fonseca. As histórias do Saramago. Uma lista impossível de enumerar aqui, de tantas as obras.

Luiz também resolveu escrever as suas. Começou com uma de menino, Minha Vida de Goleiro, inspirada numa viagem que o fez entender melhor os silêncios apertados do pai, homem duro que saiu de Budapeste carregando a incerteza e a intimidade com as mágoas, e que nas festas da sinagoga matava as saudades de casa cantando alto as músicas típicas.

Único filho, bom aluno, Luiz andou bem nos trilhos, mas soube dar outras bananas e outras partidas: entregou o diploma de administração de empresas para a família e rodopiou em direção oposta à gráfica do avô, para uma carreira com um pé nas artes. Mostrou um romance a outro paizão de coração, o escritor Tomás Eloy Martinez, ganhou elogios, mas desmanchou tudo e resolveu transformá-lo em livro de contos. As coisas que ele não soube dizer viraram histórias bonitas tiradas dos pequenos e grandes instantes de sua vida. Estão no recém-lançado Linguagem de Sinais.

O lado certinho veste blazer, articula grandes negócios e segue a frase do pai do Chico. A Companhia das Letras é coisa séria, meu filho. Agora está em sociedade com a maior editora do mundo, a Penguin, e publica neste ano 270 livros, quase um por dia. O lado do avesso continua disposto a ficar pelado de tão livre: para driblar a depressão, Luiz anda a cavalo, vento no rosto. Ultimamente também se revela num blog, Imprima-se, com casos deliciosos da sua carreira. Em cada linha, a alma solta como um Garrincha em campo. É como se Luiz passasse de terno e visse na rua uma bola dando sopa, e chutasse forte para o gol. Voltando a ser menino.

Outlook – De onde vem essa vontade de se expressar? Você que sempre foi reservado agora está lançando livro de contos (Linguagem de Sinais), e tem um blog tão pessoal (Imprima-se, no site da Companhia das Letras).

Luiz Schwarcz – A decisão de escrever na minha vida surgiu de maneira bem espontânea. Antes do Minha Vida de Goleiro (infantil, seu primeiro livro, de 1998), acho que já tinha tido ideia de escrever com certeza, em 89, 90. Uma delas até conto no meu blog, sobre quando o (livro de Ana Miranda) Boca do Inferno foi publicado, que fala da minha relação com o mundo editorial. Na época, tentei fazer um romance em que o personagem era um editor, era uma catarse talvez do que eu estava sentindo naquela ocasião com a profissão. Depois quis escrever sobre o meu pai, ele era muito quieto, mais quieto do que eu, e eu fui ficando cada vez mais quieto. Ele me contou muito pouco da vida dele, até que fui a Budapeste, vi o lugar onde ele morou, fiquei impressionado, emocionado, tentei contar essa história e não consegui como romance, então escrevi o Goleiro.

Para ler esta entrevista completa, clique no link: OTLK_49_10-SETEMBRO-2010_1;26-32

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Trackback: Primavera na rede « Meu primeiro CEP
  2. helo
    ago 02, 2012 @ 11:57:25

    Este palhaco pensa que e escritor. No Brasil qualquer um pode escrever un livro: basta ter quem publique. E como ele e socio de editora ….

    Responder

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