CLAUDIO CRUZ SPALLA OSESP

“Não posso falhar. No palco, até meu andar muda” (Claudio Cruz, spalla da Osesp)

Entrevista a Cristina Ramalho Foto Murillo Constantino

Se tem uma coisa que ele não fez foi levar a vida na flauta. Cláudio Cruz, spalla (solista) da Osesp, suou um bocado para chegar àquele toque celestial do seu violino,de quem encosta o arco no instrumento e tira um som como se fosse a coisa mais natural do mundo. “Eu trabalhava de dia,como office-boy, à noite ia para a escola e antes de dormir ficava trancado no quarto, praticando. Não falava com ninguém, sofri demais”, diz Cláudio, 43 anos que podem parecer mais na postura com o fraque, e somem na sua risada de menino.Vai soar como um sacrilégio, mas não consigo parar de achar que ele é a cara do Bolinha, o amigo da Luluzinha que arranhava um violino para desespero da turma. “Meus amigos sempre me chamavam de Bolinha. Também, com essas bochechas”, ele dá uma gargalhada.

Econômico de gestos no palco, aqui na sala de casa sua simplicidade gesticula. Está num momento de festa, completando 20 anos como spalla da Osesp, ganhando homenagens como apresentações especiais da orquestra na Sala SãoPaulo, e música composta para ele. Também empunha a batuta como maestro da Sinfônica de Ribeirão Preto, é regente convidado de outras tantas orquestras e grupos de câmara, dá master classes pelo mundo, recebe elogios dos maiores mestres do globo, enfim, é uma glória atrás da outra.

Cláudio figura na lista dos melhores violinistas brasileiros de todos os tempos, à frente da  Osesp,ou no Quarteto Amazônia,um superlativo na boca dos críticos. Dê uma espiada no seu currículo: prêmios da APCA, prêmios Carlos Gomes, CDs deVilla-Lobos, Mozart, e um Grammy latino, em 2002, pelo disco de tangos de Astor Piazzola. É um apaixonado esse Cláudio, daí o tango, os discos deMPB, e a dedicada pesquisa que faz das músicas eruditas brasileiras que quase ninguém conhece. Henrique Oswald, Alexandre Levy, Carlos Gomes e o Maneco, seu pai, nomes que Cláudio garimpa na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, um trabalho exigente, raro. Fala de cada obra com a mesma reverência com que sobe no palco, quando até seu andar é outro, uma devoção ao momento do milagre que tem de ser a música na sala de  concerto.

Bom, nem tudo foi melodia nessa história. Cláudio não conseguiu concluir o colegial. Não deu para morar fora. Ajudou os irmãos e quando se casou, com a única namorada, a também violinista Miriam, logo vieram os filhos e rarearam os cabelos. “Faria tudo de novo, mas adoraria poder passar a tarde jogando dominó, tomando cerveja num barzinho”, diz o afetuoso Cláudio, de um jeito tão natural quanto a sua determinação. Antes de acabar, falou que anda pensando em ir atrás de outros sonhos na carreira. Vem a risada de menino. Bolinha vai aprontar alguma.

Outlook – Vinte anos como spalla, ganhando homenagens da orquestra, música composta para você. Fale um pouco desse momento.

Claudio Cruz – Ah, fiquei muito emocionado, o Ronaldo Miranda (compositor da Osesp) compôs sob encomenda da Osesp o Concerto Para Violino, estou adorando tudo. São vinte e cinco anos de Osesp, uma história.

Para ler a entrevista com Cláudio, completa, clique no link: OTLK_30_30-ABR-2010_p1;26-32

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: